[031] Sim, morrendo. E você não?
A perimenopausa começa antes do diagnóstico
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O que a série mostrou e o que vem a seguir
Esta é a primeira edição de uma série sobre menopausa e perimenopausa no Mapa da Coragem. As respostas da segunda fase da pesquisa chegaram com um padrão que o instrumento não estava buscando: mulheres em reorganização hormonal carregando a mesma exigência de sempre. Nas próximas edições, cada camada do Mapa recebe esse dado, uma por uma.
Em Dubai, eu suava muito à noite. Atribuí ao deserto. Trinta e muitos graus à meia-noite, ar-condicionado que nunca dava conta e um corpo que não estava acostumado com aquele calor. Fazia sentido.
Um ano depois, já em Santos, o calor voltou. Diferente. Vinha de dentro, subia pelo peito, chegava no rosto antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Durante o dia. Durante a noite.
Na casa do meu irmão, num determinado horário do dia, eu simplesmente tirava a blusa. Tinha sempre uma camiseta leve por baixo, por precaução. Um dia minha cunhada perguntou se eu estava com calor.
Sim, morrendo. E você não? Ela disse que não.
Foi aí que conectei. O corpo tinha começado a falar em Dubai. Eu simplesmente não tinha o contexto para ouvir.
Algumas amigas em Dubai tinham me sinalizado. Pode ser menopausa, Andrea. Eu ouvia e descartava. Eu ainda estava menstruando. Menopausa era outra coisa, era quando o ciclo parava. Eu nem sabia que existia uma fase antes disso, que tem nome, que dura anos, que começa muito antes de qualquer parada.
A palavra perimenopausa eu encontrei sozinha, meses depois, num aplicativo de ciclo que notou uma irregularidade e apontou. Fui atrás. Li. Reconheci cada coisa.
Fui ao médico. Os exames deram normais.
Normais. Enquanto eu tirava a blusa na sala do meu irmão, enquanto o sono não restaurava, enquanto eu perdia o fio no meio de frases que antes saíam sem esforço.
Uma das participantes do Mapa da Coragem descreveu a mesma coisa: fez muitos exames que diziam estar tudo normal, mas não dava para ignorar o que já vivia. Ela nem tinha chegado nos 40. Desde os 35 sentia que não era mais a mesma. A insônia veio primeiro, durante a pandemia. Ela achava que era sensibilidade, que estava captando o sofrimento de todo mundo no ar. Até poderia ser. Depois vieram os calores noturnos que faziam ela arrancar o pijama grosso num inverno de graus quase negativos.
Eu li e pensei: eu também.
Comecei a estudar por conta própria. Podcasts, artigos, qualquer coisa que explicasse o que os exames não tinham conseguido mostrar. Foi num podcast, Do Hipotálamo à Vagina, que ouvi pela primeira vez uma explicação que fazia sentido com o que eu vivia: o estrogênio tem receptores no hipocampo e no córtex pré-frontal, áreas que regulam memória, emoção e temperatura.
Enquanto eu ouvi aquilo no fone, pensei: ah, agora tudo faz sentido! O corpo aprendendo a funcionar de outro jeito, enquanto eu continuava exigindo o mesmo de antes.
Este é um dos territórios do Coragem Lab. Conheça o ecossistema completo.


![[030] O padrão e o mapa](https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!C108!,w_140,h_140,c_fill,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep,g_auto/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa93db266-82a8-43bf-b2ae-293d21ae1f4b_1536x1024.png)
Importantíssimo. E tem uma dezena mais de sintomas que podem ser mapeados: falta de paciência, irritação com coisas que a gente fazia vista grossa antes... Tanta coisa! Eu repostei um trecho agora há pouco. Precisamos ampliar essa conversa.
Oi Andréia, é de extrema importância esse seu compartilhar. Muitas mulheres não sabem o que acontece com o corpo quando chega aos 40+. Obrigada por nos fazer entender com tanta clareza. 🥰☕️📚🌻🦋